Quinta-feira, 9 de Agosto de 2007

Ela...

Encontrou o amor muito cedo, quis ser feliz mas foi magoada. Vezes sem conta.
Traições atrás de traições, lágrima atrás de lágrima, dor própria de quem sente.
Era traída, chorava, doía e depois passava com o advento daquilo que julgava ser a sua salvação. Daquilo que esperava que a tirasse do poço, depositando toda a responsabilidade no outro, crendo que amar era aquilo: entrega, a seguir dependência e no fim solidão.
A esperança numa nova experiência era tanta, a expectativa crescia e vivia momentos de histerismo, uma alegria enganosa que já não cabia em si. Esta nova personagem na sua vida trazia a novidade, o que não era esperado, o mundo novo a sua frente. Deixava-se iludir, julgava ser para sempre e acreditava em cada palavra que se fazia ouvir. Não havia momentos de dúvida, muito menos de reflexão. Na verdade não havia realidade. Cada oportunidade era vivida no momento, valesse a pena ou não.
E o esperado aconteceu:
Sofreu como nunca a vi sofrer. O seu coração sangrava, pois as lágrimas já haviam acabado. Deu tudo e recebeu uma mão cheia de ódio. Era isso que sentia por si mesma. Ódio por ter pensado que o amor era isto. Que no amor não podia haver tempo, não podia haver espera. O tempo correu contra ela e chocou sem dó.
Desesperada por ter perdido a única pessoa que julgava ter amado. Mas na verdade era simplesmente o seu pilar, a sua subordinação, aquele a quem era totalmente obediente, custasse o que custasse. Chorou a sua perda durante tempo a mais. E depois reformulou-se e eu assisti como ninguém a essa transmutação.
Jamais mais foi a mesma, mas eu amparei-a sempre e ainda amparo. Mesmo sabendo que não era isto que ela realmente carecia.
Falseava ter certezas, falseava não se importar com nada, como se não se apegasse a ninguém, como se não significassem nada para ela. Simulava tudo, sempre. Nunca mais falou de sentimentos. Nunca mais.
Teve muitos amores seguidos, muitos até ao mesmo tempo. Era todos abreviados e em resumo eram apenas experiências. Alguns eram regulares, nunca consegui conta-los, mas os dedos das mãos e dos pés não chegavam para um mês da sua vida. Dava importância a moda, uma rapariga bonita e bem vestida sem dúvida. Inspirei-me muitas vezes nela.
Mas a noite só eu lhe secava as lágrimas e lhe dava o carinho que tantos amores não foram capazes de dar. Ela não dizia nada, deitava-se no meu colo e limitava-se a chorar pelo tempo que fosse preciso, devo confessar que, muitas noites, chorei com ela.
Eu nunca perguntei nada, porque sempre soube o motivo de tanta tristeza, de tanto desconforto, mas ambas tentamos esquecer. Ela não se sentia bem porque aquela nunca fora a sua vida, muito menos a vida que queria ter. Os verdadeiros amigos afastaram-se decepcionados e os novos, aproximaram-se em busca da sua tão famosa diversão. No outro dia, já com a máscara posta, a minha menina vivia a sua vida, repleta de tudo aquilo que a sua beleza exigia. Repleta de olhares provocadores, de pernas tentadoras e de decotes aliciantes. Ria, gargalhava todo o dia, a espera que afugentasse a tristeza e que esta desistisse dela, deixando na sua nova “paz”.
Passaram-se dois anos assim.
Os homens eram os seus melhores amigos, e ela incontestavelmente a melhor amiga de todos.
Faziam de tudo para estar com ela, mas nem era preciso muito. Ela era a confidente, a que estava a par de as fraquezas de todos, dos inconvenientes de todos. Mas só eu sabia das suas próprias fraquezas. Raramente falava dela. Ou melhor, raramente falava. Escutava todos os problemas com atenção e o seu olhar e só a ideia da sua atenção parecia ser consolo para todos.
Todas a detestavam, não tinha amigas. Invejavam a sua beleza e o seu sucesso. E, mais importante, o sua sabedoria sobre os homens.
Ela sabia exactamente do que precisavam e da altura em que precisavam, ficavam sempre em primeiro lugar na sua lista de prioridades.
Mas o amor estava esquecido aparentemente.
Numa das minhas visitas ao seu quarto para limpar os vestígios de novas “companhias” encontrei a folha amachucada do que parecia ser o seu diário.
 
«O meu objectivo é compreender o amor. Sei que estava viva quando amei, e sei que tudo o que tenho agora, por mais interessante que possa parecer não me entusiasma.
Mas o amor é terrível. Os homens (não os meus) não prestam. Quando penso em amor, a imagem que me vem a cabeça é de ele. A abandonar-me quando eu mais precisava, a deixar-me como foto no meu álbum de memórias um filho que, mesmo assim, também me abandonou.
Muitas me perguntam como é que consigo dominar tão bem os homens. Sorrio e fico calada, porque sei que o segredo e fugir do amor. A cada dia que passa, vejo com mais clareza como os homens são frágeis, inconstantes, surpreendentes… Até alguns pais de ex-amigas me fizeram propostas e eu recusei, Antes, ficaria chocada, agora acho que faz parte da natureza do homem.
Embora o meu objectivo seja compreender o amor, e embora sofra por causa de quem entreguei o meu coração consegui tirar uma conclusão de tudo isto:
Vejo que aqueles que me tocaram a alma não conseguiram despertar o meu corpo, e aqueles que me tocaram o corpo não me atingiram a alma.
 
 
Ela…»
 
 
Chorei…
Publicado por Leticia às 16:35

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